Quem são os refugiados e como são recebidos pelo mercado de trabalho

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De acordo com o site da ACNUR – Agência da ONU para Refugiados, atualmente contamos com 224 mil refugiados e migrantes no Brasil. E, para refazerem suas vidas e adquirem estabilidade novamente, é necessário que o indivíduo recoloque-se no mercado de trabalho. E é nessa hora que as dificuldades aumentam.

Por falta de conhecimento e informações, muitas empresas possuem receio em contratar pessoas refugiadas. Apesar de pilares de diversidade e inclusão estarem crescendo cada vez mais em organizações, quando falamos de profissionais caracterizados como refugiados, ainda existem estigmas que afastam profissionais, muitas vezes com ensino superior e outras qualificações técnicas, dessas oportunidades.

Para trazer mais informações a respeito do assunto e tornar mais acessível os conhecimentos necessários para a estruturação de oportunidades abrangentes para refugiados, convidamos a Perla Zola, que é Coordenadora em um dos projetos do Instituto Adus

  1. Conta um pouco sobre você e sua trajetória profissional? 

Meu nome é Perla Zola, sou voluntária no Adus há 5 anos e coordenadora do Projeto Trabalho e Renda. Minha história com refúgio é oriunda de influência de minha avó que veio de outro país para Brasil enfrentou diversas dualidades semelhantes a dos refugiados de hoje e que me instigou a conhecer os “novos imigrantes “ que chegam em nosso país. E através de uma pesquisa na internet de instituições que trabalhava com tema refúgio conheci o Adus.

  1. Quando e como surgiu a Instituto Adus?

O Instituto Adus nasceu em 2010 com 3 amigos (Marcelo Haydu, Vitor Melão e Andrea Piccine) com formação em Políticas Públicas que tinham o mesmo sonho em ajudar na reintegração dos refugiados na sociedade, e hoje esse sonho é formado por 135 voluntários.

  1. Qual a realidade dos refugiados que chegam ao Brasil? Como é esse caminho?

O Brasil não é primeira opção dos refugiados quando precisam sair de seus país, até pq nosso país está longe dos principais focos de conflitos no mundo com isso o perfil dos refugiados que recebemos tb é diferente dos outros país.  Quando chegam no Brasil solicitam refúgio na Polícia Federal e com o protocolo do RNM (registro nacional do migrante) ele consegue tirar a carteira de trabalho, abrir conta em banco e ter acesso ao Sistema Público de saúde. Esse protocolo tem validade por 1 anos, podendo ser renovado até momento da documentação definitiva.

Como o mercado de trabalho enxerga o refugiado?

Ainda existe um desconhecimento de quem são “essas pessoas”, por que saíram do seu país. Muitas empresas pensam que o processo de contratação é mais complexo, burocrático e demorado do que o processo de um brasileiro ou até mesmo supõem que seja ilegal admitir refugiados. A contratação de refugiados é perfeitamente legal e segue as mesmas regras para a admissão de brasileiros, sem implicar nenhum ônus ou encargo extra para o empregador.

  1. Conta um pouco sobre os projetos do Instituto Adus?

Dentro do Adus temos 3 projetos:

1. Ensino de português: aulas realizadas (segunda a sábado) na sede, que abrange os 3 níveis (básico, intermediário e avançado)

2. Uno: uma escola de idioma onde os próprios refugiados são professores e ministram aulas in company ou particulares dos idiomas (inglês, francês e espanhol)

3. Trabalho e Renda: que tem como principal objetivo a inserção dos refugiados no mercado de trabalho, curso de capacitação para mercado de trabalho e palestras de sensibilização nas empresas nesse encontro discutimos questões sobre o refúgio, documentação, lei brasileira, diferenças culturais, valor agregado à empresa, cultura consciente para os funcionários e estudos que mostram um aumento da criatividade, tolerância, melhora da comunicação e resultados  em empresas com equipes onde a diversidade está presente.

  1. Como é feito o trabalho desde que esse refugiado chega no Instituto Adus?

Ao atender o refugiado recém-chegado da sede, ele passa com a equipe do atendimento que irá preencher a ficha de cadastro e formular o cv. Caso ele tenha um português nível intermediário e estiver procurando emprego será encaminhado para projeto Trabalho & Renda, através de uma pré entrevista e análise do cv é traçado o perfil do candidato. Futuramente esse perfil e o perfil das empresas parceiras serão cruzados para definir quais são os refugiados adequados para as vagas de trabalho disponíveis. Antes de encaminhar o cv, o refugiado precisa fazer o curso de capacitação para mercado de trabalho que é realizado na sede. Caso o refugiado seja selecionado para entrevista a equipe do Trabalho e Renda é responsável em entrar em contato com refugiado passando todas as informações necessárias (data/hora/ loca/ empresa). Caso haja a contratação auxiliamos com o processo de admissão e fazemos o acompanhamento por 3 meses tanto com a empresa x refugiado.

  1. Como funciona quando vocês recebem as vagas? Para quais áreas a demanda é maior? 

Quando recebemos uma vaga, enviamos um e-mail para empresa sugerindo um melhor dia/horário para primeiro contato via telefônico para entender melhor a empresa e a vaga que está sendo oferecida. Após esse contato é feita uma seleção criteriosa do perfil solicitado e encaminhado para empresa os candidatos. Se houver interesse em entrevistar iremos entrar contato com refugiados passando as informações ( loca/hora/ empresa). Havendo a contratação fazemos o acompanhamento pelo período de 3 meses tanto com a empresa como com refugiado contrato. Nossa maior demanda é nível operacional.

  1. Na sua opinião o mercado está mais aberto a contratação de refugiados? 

Sim, cada vez mais as empresas estão vendo a importância de um ambiente onde a diversidade é presente. Em um mundo globalizado e altamente conectado, a diversidade se faz mais do que necessária para que uma empresa ou negócio seja competitivo tanto no nível nacional quanto em âmbito internacional. Desta forma, recrutar pessoas refugiadas que possuem trajetórias e qualificações múltiplas certamente enriquecerá o corpo de trabalhadores e elevará, assim, o potencial da empresa ou negócio.

  1. Além do idioma, quais são os fatores que mais prejudicam a entrada de refugiados no mercado de trabalho?

A validação de diploma é uma barreira quando é uma exigência da vaga prospectada, além de ser um processo muito caro, são poucas as universidades que fazem esse processo. E desconhecimento o grau de qualificação que eles possuem.

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