Desafios no mercado de trabalho pós Covid-19

"A pandemia será um marco na forma como boa parte das empresas trabalha. Isso deve se refletir no mercado e nas relações de trabalho."

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Passamos por uma crise causada pela pandemia do Covid -19, que afetou, desde o começo de março, o mundo todo. O Brasil, assim como outros países, está lutando para vencer essa pandemia e, uma das principais medidas tomadas, foi o isolamento de casos suspeitos e o distanciamento social para evitar a contaminação.

O distanciamento social fez com que novas formas de trabalho fossem adotadas, assim como o home office. Por esse motivo, entrevistamos a Renata Leal, jornalista e empreendedora,  para falar sobre os desafios no mercado e nas relações de trabalho pós Covid-19. 

Conta um pouco da sua formação e trajetória profissional?

Sou jornalista de formação e empreendedora por paixão! 🙂
Fiz jornalismo na Faculdade Cásper Libero, uma especialização em jornalismo na Universidade de Navarra, na Espanha, depois uma pós-graduação em jornalismo, educação e ciência na PUC-SP e um MBA em gestão de negócios na FIA. Estudar é uma constante na minha vida. É algo que faço com muito prazer.

O jornalismo me levou às redações de algumas das principais revistas do país. Foram seis anos na revista Época, depois mais três anos na revista Info e depois quatro anos na redação da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, onde eu era editora de um projeto muito legal chamado Movimento Empreenda.

Foi tão legal que deu uma base muito importante para eu decidir abrir meu próprio negócio. Em parceria com a minha amiga e sócia Suzane G. Frutuoso, criamos primeiro a Mulheres Ágeis, uma empresa de inspiração e capacitação para mulheres, e quase ao mesmo tempo a ComunicaMAG, uma agência de comunicação.

O que mudou na sua rotina que mais faz falta e como foi começar a lidar com a situação de crise que a pandemia está causando?

Eu sinto falta de sair de casa mesmo, de encontrar mais pessoas tanto para o trabalho quanto para a vida pessoal. Nós já trabalhamos muito em home office. Por isso essa parte já foi bem tranquila desde o início. Mas a sensação de permanecer em casa o tempo todo incomoda.

No início da pandemia, nos primeiros dias de isolamento, o sentimento era de mais ansiedade com o que viria. Alguns eventos que faríamos em março pelo mês da mulher foram cancelados e nossos clientes da ComunicaMAG demonstravam muito mais ansiedade com as mudanças para o home office, as respostas à crise e tudo mais. O começo foi bem estressante. Aos poucos, porém, as coisas foram entrando em um ritmo melhor. 

A ComunicaMAG é uma consultoria estratégica com foco em comunicação interna e assessoria de imprensa. Quais foram os cuidados e as ações tomadas para que sua empresa não parasse ? E o que mudou?

Como já trabalhamos em home office, as mudanças no dia a dia foram poucas. Temos profissionais que trabalham em parceria conosco, que continuam realizando o que precisam também de casa. Um cuidado fundamental para nos dar tranquilidade para enfrentar esse momento desafiador foi ter realizado bem o nosso planejamento financeiro.

O que mais mudou foi o aumento na frequência de reuniões remotas. Já fazíamos bastante, mas não tantas quanto agora.

Quais as medidas você julga serem essenciais para um empreendedor sobreviver à crise ?

Talvez a primeira e mais importante seja ter uma boa reserva de caixa para momentos de adversidade. Sem dúvida é isso que nos dá bastante tranquilidade agora. Construir uma reserva não é fácil, mas é uma decisão importante.

Outra medida é a capacidade de se adaptar ao que o momento impõe. Se não é possível ir por um caminho, é preciso parar e pensar em outros.

Na sua opinião, é possível identificar oportunidades mesmo nesse momento de crise na qual vivemos?

Com certeza é. Durante esse período estamos fechando dois novos contratos de produção de conteúdo para uma empresa e fomos procuradas por outra empresa que está recebendo bastante demanda da mídia. Sempre vai haver alguém que precisa do tipo de trabalho que você oferece. Pode ser que você precise mudar o canal de venda, mas ainda assim é possível investir em oportunidades.

O mercado de trabalho será o mesmo pós Covid-19?

Acredito que não. A pandemia será um marco na forma como boa parte das empresas trabalha. Isso deve se refletir no mercado e nas relações de trabalho.

As relações de trabalho vão se transformar? Os profissionais se tornaram mais flexíveis e resilientes?

Sim! Depois de um período com todo mundo em home office, será que finalmente as empresas vão perceber que sim, é possível ter jornadas mais flexíveis, pessoas em diferentes locais, etc? Acredito que sim. É muito provável que as empresas acelerem seus processos de transformação digital em todas as áreas – pessoas, cultura, consumidores… Quem deixou esse processo para depois está sentindo muito mais as consequências agora.

Os profissionais podem ser mais flexíveis e resilientes, mas também aumentar sua adaptabilidade, sua gestão de tempo. Quando você trabalha de casa, há muitos mais elementos de dispersão. É preciso ter mais foco e pragmatismo para concluir as tarefas sem trabalhar muito mais horas.

E sobre as grandes organizações, você acredita que  mudará permanentemente os modelos de trabalho? O escritório será substituído pelo home office para alguns segmentos? Surgirão novos modelos de trabalho?

Acredito que estamos passando por uma fase de mudança e que os resultados serão analisados no médio prazo. Por enquanto é difícil saber se algo vai mudar permanentemente, mas as chances são grandes. Não acredito em substituição total dos escritórios porque o ser humano é um animal social, que precisa desse contato com os outros. Mas vejo escritórios mais flexíveis, talvez menores, com pessoas que trabalham parte em casa e parte no escritório, sem mesas fixas (como diversas empresas já fazem). E poderemos ter também empresas sem escritório fixo, como ainda é o nosso caso, com pessoas que se encontram apenas remotamente.

Vejo mudanças mais profundas em alguns setores e também em certos comportamentos, como eventos e viagens corporativas. A pandemia está nos mostrando que é possível realizar negócios sem estar fisicamente em diversos eventos, que aquela palestra a que você tanto queria assistir está a um clique de distância, ou ainda que você não precisa necessariamente ir ao outro lado do mundo para fechar um negócio. Minha sensação é de que os mercados de viagens corporativas e de eventos passarão por transformações significativas.

Como você enxerga a sua área de atuação pós pandemia? E quais dicas você deixa para profissionais iniciantes na área?

Mais do que nunca a comunicação tem se mostrado uma ferramenta fundamental. É curioso observar que as pessoas estão voltando a assinar jornais e revistas, agora em meios digitais. Num mundo de fake news, ter informação de qualidade é questão de sobrevivência. Para quem está começando agora, na minha área ou em qualquer outra, minha principal dica é não parar de estudar. Em um mundo em transformação como o nosso, precisamos desenvolver novas habilidades constantemente.

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