Entre muitos e valiosos aprendizados, 2019 me trouxe uma lição em especial: respeito como liderança também se conquista com afeto. Quando além de exigir metas e resultados somos capazes de mostrar às pessoas da nossa equipe que elas importam, como seres humanos, lealdade, admiração e vontade de fazer cada vez melhor se constróem. 

Nem de longe estou defendendo gestões maternalistas/paternalistas. Não é disso que se trata. Nenhuma empresa ou cargo se mantém passando a mão na cabeça de quem quer que seja. Mas significa que metas e resultados devem vir acompanhados de tempo para conhecer liderados, saber por qual momento estão passando e, sim, como o líder pode ajudar. Tanto nos desafios profissionais quanto nos pessoais. Mesmo que seja conversando e dizendo “estou aqui se precisar.”

Não adianta começar 2020 se inscrevendo no curso ou lendo o livro sobre “como ser um líder de sucesso” se for apenas pelo sucesso. Se não houver disposição sincera para desenvolver as pessoas que acreditaram em você como liderança. 

E desenvolver pessoas inclui lidar com a energia de se preocupar com as dores que elas estão enfrentando e que passam a ser um pouco nossas. Inclui achar 30 minutos preciosos na agenda lotada que podem mudar a vida de quem se sentia triste ou confuso e foi ouvido. Inclui usar sua história pessoal, sem medo, para mostrar que a jornada não é uma linha reta. É de altos e baixos e que nos baixos se aprende muito para celebrar nos altos. É assim que é e essa é a riqueza.

A liderança é árdua. Não se engane. Pode ser cheia de tomadas de decisão pouco populares. Não é destino para quem deseja ser sempre querido e adulado. Mas essa disposição de olhar o outro como alguém cheio de valor e algo para ensinar, não importa em que estágio da vida esteja, conquista o respeito que eu considero verdadeiro.

Respeito no grito, no terror, na manipulação e na intimidação? Nunca foi e nunca será respeito. É apenas meio de se conseguir algo de imediato por pressão. Uma tarefa, por exemplo. Ou para criar um clima pesado que deixa as pessoas doentes e, de quebra, também a organização. Os efeitos colaterais sempre chegam.

Cada vez que um funcionário trabalha se sentindo amedrontado, a única coisa que a chefia (e aqui não dá pra chamar de liderança de jeito nenhum) consegue é diminuir sua dedicação, sua vontade de fazer parte, seu desejo de colaborar com boas e novas ideias. É fazê-lo entender que não vale a pena ser melhor, que essa organização só merece mais do mesmo. Melhor ir embora.

Para empresas se manterem e crescerem no mercado, precisam estar alinhadas com as transformações que os anos 2000, agora com um simbólico 2020, trouxeram e se ampliaram. Já somos futuro. Manda quem pode, obedece quem tem juízo, ordens top down… É tudo passado enterrado. Escolha em que fase da gestão de pessoas você quer estar.

*Suzane G. Frutuoso é cofundadora de Mulheres Ágeis (www.mulheresageis.com.br), de ComunicaMAG (www.comunicamag.com.br), professora e escritora.

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